Coisas do Sertão

9 maio 2017 | POR: Fernando Estrela | 2 Comentários

“Enquanto viajava, eu olhava para o horizonte e tentava “digerir” todas as belas paisagens que eu via. O pôr do sol lá longe, o nascer da lua à minha direita. TUDO tão perfeito!

Alguns quilômetros à frente, deu-se início uma forte, suave e bela chuva. O barulho dela caindo no chão da estrada era como uma das belas sinfonias de Beethoven, e os relâmpagos eram mais lindos que as belas pinturas de Da Vinci.

Cada tentativa de descrever cada segundo da viagem até aqui, é um arrependimento para cada poeta existente. Seria a mesma coisa que contar a quantidade de estrelas no céu; ou descrever a beleza e a divindade de um deus. Apenas os olhos podem contemplar tamanha imensidão de cores, formas, tamanhos e belezas.

Amanhã, pela manhã, eu sairei na rua e verei o orvalho nas plantas que acordam com o cantar do galo. E, agora, duas e meia da manhã, com a porta aberta, sinto a brisa noturna e o cheiro da linda e delicada flor, dama da noite. Bem pequena, mas com um poder de fragrância enorme. Coisas que apenas o interior, o sertão, pode proporcionar aos nossos sentidos. Me sinto tão vivo e tão conectado à terra aqui. A paz visual e auditiva são plenas neste lugar onde a calmaria reina. A monotonia proporciona tudo isso.

Vou até parar de escrever, para não falhar como outros homens que tentaram, tão bravamente, descrever toda a natureza à sua volta.”

Edson Soares Junior